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Moradores de Manduri relatam fila de até dois meses para atendimento odontológico na rede pública
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Moradores de Manduri relatam fila de até dois meses para atendimento odontológico na rede pública

  • 09/03/2026 15:13:00
  • O Sudoeste
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Denúncia enviada ao CROSP aponta que há apenas dois dentistas estão em atividade, sendo que um deles não realiza extrações dentárias devido a um problema nas mãos.

Os moradores de Manduri (SP), cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estão enfrentando dificuldades para conseguir atendimento odontológico. A fila de espera ultrapassa dois meses.

Um dentista da cidade, que preferiu não se identificar, relatou ao g1 que, devido à demora na rede pública, muitos pacientes acabam procurando atendimento em clínicas particulares. No entanto, não são todos que possuem condições financeiras para realizar os exames e procedimentos necessários.

"Cheguei a gravar uma paciente que passou no meu consultório em uma situação desse tipo. Mas não é apenas uma paciente, isso acontece com frequência. Depois que tive a iniciativa de gravar, fiz um abaixo-assinado, protocolei uma denúncia no Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CRO-SP) e pretendo levar ao Ministério Público. A prefeitura está ciente de tudo isso, mas nada é feito", diz.

De acordo com uma lei complementar sancionada em 2022 pela Prefeitura de Manduri, existem cinco vagas previstas para dentistas na rede pública de saúde do município. No entanto, segundo o denunciante, há apenas dois profissionais estão em atividade e um deles não realiza extrações dentárias devido a um problema nas mãos.

"Existem três postos de saúde na cidade, sendo um deles em um distrito afastado. Por conta do médico que alega o problema nas mãos e se recusa a fazer extrações, estão fazendo o outro médico revezar os atendimentos nos três postos, mesmo tendo uma carga horária de 20 horas semanais. O outro dentista continua recebendo o salário integral, mesmo sem fazer uma função básica da profissão", alega.

O g1 conversou com a paciente que foi gravada pelo profissional e que diz ter procurado o atendimento particular depois de perceber um inchaço anormal na região da bochecha.

"Estava inchada há três dias e, na verdade, ainda está. Estou tomando antibiótico para aliviar a dor. Procurei o convênio particular depois de ter chegado no posto de saúde de Manduri às 9h e ter saído só 14h, ou seja, cinco horas de espera", lamenta.

Ao chegar ao consultório, a mulher, que também preferiu não se identificar, foi diagnosticada com um abscesso dentário, infecção grave que foi causada pela falta de tratamento em um dente com canal.

"É uma demora imensa para ser atendido. Eu marquei um exame que a fila de espera ultrapassava dois meses, e não era para ser assim, visto o meu diagnóstico", conta.
Uma segunda paciente, que também não quis se identificarm afirma que, além de estar passando por problemas na saúde, precisa ficar se deslocando entre unidades para tentar atendimento. Isso acontece, segundo ela, devido à falta de profissionais voltados à saúde odontológica em Manduri.

"Quando cheguei em um posto de saúde, eles pediram para eu ir a outro. Lá, eles só fizeram uma avaliação básica e me mandaram marcar retorno, o que demora muito. O médico particular me pediu para fazer um raio-X, só que custa, em média, R$ 110 e eu não tenho dinheiro para isso", pontua.

Depois de passar em um consultório particular, a paciente soube que precisaria fazer a extração de dois dentes do siso. Desde então, ela aguarda por uma vaga de atendimento no posto de saúde próximo à casa onde mora, já que, por ter duas crianças pequenas, ela não consegue se locomover para lugares de uma distância maior.

"Se você chegar lá em uma situação de emergência, com dor ou qualquer coisa envolvendo crianças, eles mandam direto para a policlínica. No posto, eles não atendem se não tiver agendamento. Tenho que ficar esperando um, dois meses", diz.

O que diz a prefeitura
Em resposta ao g1, a Prefeitura de Manduri afirma que está ciente da situação e tem tomado as medidas cabíveis para diminuir o tempo de espera para atendimento.

Com relação ao número de dentistas na cidade, a prefeitura confirma a situação e diz que o problema será resolvido o quanto antes, no entanto, o órgão municipal não informou em qual prazo.

Já o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) informou em nota que recebeu uma denúncia anônima referente a situação da rede odontológica na cidade. Conforme o órgão, a denúncia é inestigada. Caso o Conselho confirma os problemas, tomará medidas administrativas disciplinares contra os responsáveis.

Ainda conforme a nota, os procedimentos de fiscalização e os processos disciplinares tramitam em sigilo devido à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e do Código de Processo Ético.

Por Diogo Del Cistia, g1 Itapetininga e Região

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