De Luiz Zurdo Rodrigues ao maestro Márcio Rodrigues e aos netos Pedro e Júlia, a música atravessou gerações e se transformou em uma história de dedicação, inspiração e amor pela arte.
Na família Rodrigues, de Timburi, o legado ganhou outro idioma: a música. A história começa com Luiz Zurdo Rodrigues e sua esposa, Erminia Maranho Rodrigues, moradores da cidade e muito queridos pela comunidade. Pais de Márcio Rodrigues e Luiz Henrique Rodrigues, eles também são avós de Pedro e Júlia, filhos de Márcio e Elaine, e de Larissa e Lucas, filhos de Luiz Henrique e Luciane.
Muito querido em Timburi, Luiz construiu sua história por meio dos instrumentos e dos encontros musicais. Ao lado do irmão, Zé Zurdo, que tocava cavaquinho, participou de rodas de choro, serestas e momentos que reuniam amigos e mantinham viva uma tradição cultural do município. Mais tarde, integrou o grupo Janela do Poente, levando seu talento para bailes e apresentações pela região.
Autodidata, Luiz aprendeu pela prática e desenvolveu uma sensibilidade que impressionou o próprio filho. Ao estudar música, Márcio percebeu que muitos recursos que aprendia na teoria o pai já executava naturalmente.
“Quando fui estudar fora, percebi que muitas coisas que eu estava aprendendo na teoria, meu pai já fazia naturalmente. Ele tinha uma sensibilidade musical impressionante”, relembra Márcio.
Conhecido carinhosamente como Vô Luiz, ele nunca imaginou que sua paixão pela música se transformaria em uma herança para as próximas gerações. Hoje, aos 86 anos, continua tocando violão e participando de ensaios e apresentações ao lado do filho.
Inspirado pelo pai e pelos tios, Márcio iniciou sua trajetória ainda criança na Banda Municipal de Timburi. Na adolescência, junto ao irmão Luiz Henrique, ao primo Fernando Zurdo e ao amigo Laurindinho, formou a Banda Difs, consolidando a paixão que nasceu dentro de casa.
O momento decisivo aconteceu em 1995, quando o maestro Antônio Cação enxergou em Márcio o nome ideal para assumir a regência da Banda Municipal de Timburi. O convite transformou sua trajetória e fez da música sua profissão.
“Eu dava aula, terminava a aula, pegava o instrumento e ia estudar. Instrumento por instrumento”, conta.
Hoje, Márcio é maestro da Banda Municipal de Taguaí, instrutor de viola caipira pelo Senar e está à frente da Orquestra Regional de Viola Caipira, projeto que reúne músicos de Timburi, Taguaí e Piraju.
O legado segue vivo nos filhos. Pedro e Júlia cresceram entre ensaios, apresentações e instrumentos, e hoje também dividem o palco com o pai em diversas ocasiões, dando continuidade a uma tradição que atravessa gerações.
Em Júlia, a história reserva uma coincidência especial. Assim como o avô Luiz, ela também é autodidata. Aprendeu sozinha a tocar violino e ukulele e, mais tarde, encontrou no contrabaixo sua grande paixão, instrumento com o qual mais se identifica e continua aperfeiçoando seu talento.
Da sensibilidade de Luiz à dedicação de Márcio e ao entusiasmo de Pedro e Júlia, a música continua escrevendo novos capítulos da família Rodrigues. Um legado que começou em Timburi e segue atravessando gerações.