Depois de 35 anos de dedicação, aprendizado e histórias vividas ao lado de alunos, famílias e profissionais, Emiliana Guidotti encerra um dos ciclos mais importantes de sua trajetória na Apae de Avaré.
Sua história na instituição começou no setor de fisioterapia e reabilitação, onde teve a oportunidade de trabalhar ao lado de diversos profissionais e acompanhar de perto o desenvolvimento de crianças com diferentes deficiências. Mais tarde, recebeu a oportunidade de atuar como professora, função que exerceu com dedicação e carinho durante muitos anos.
Entre as experiências que marcaram sua trajetória está o trabalho com o esporte adaptado. Ao lado do professor José Aldemir, Emiliana participou do Circuito Adaptado de Atletismo, competição na qual a Apae de Avaré conquistou o tricampeonato consecutivo. A cidade também recebeu uma das etapas da competição e reuniu um grande número de participantes.
Ao recordar sua caminhada, Emiliana faz questão de destacar pessoas que tiveram papel importante em sua trajetória, entre elas Neide Pegoli, que atuou na direção e também na presidência da entidade. Ela também lembra do professor José Aldemir, de Arthur Greguer e do Dr. Denilson Ziroldo, que, segundo Emiliana, incentivou e investiu no esporte e em outros projetos desenvolvidos pela instituição.
Durante as mais de três décadas, sua atuação também esteve ligada à captação de recursos, busca por patrocinadores, organização de eventos, teatro e desenvolvimento de projetos. Muitas dessas atividades foram realizadas voluntariamente, sempre com o objetivo de contribuir para o crescimento da instituição.
Uma das histórias que Emiliana guarda com maior carinho é a de Francisco. Ele realizou o trabalho de estimulação precoce e reabilitação no setor de fisioterapia da Apae de Avaré, ainda no início de sua vida. Segundo Emiliana, esse acompanhamento foi fundamental para sua evolução e desenvolvimento, contribuindo para que ele pudesse estudar e frequentar as escolas.
Hoje, Francisco integra a Associação F.L.U.I.R. – Famílias Ligadas à União, Inclusão e Reconhecimento das Pessoas com Síndrome de Down. A amizade entre os dois, porém, permanece. “Eu tenho o maior carinho pelo Francisco. A gente tem uma amizade maravilhosa”, conta Emiliana.
Agora, ao encerrar sua atuação como professora, ela admite que a despedida não é simples. “É um luto que eu tenho que passar. Preciso reaprender a viver de outra maneira, porque minha vida foi a Apae”, afirma.
A decisão é também um momento de pausa. Emiliana pretende descansar, dedicar mais tempo à família e seguir com sua profissão como personal. A nova diretoria da instituição, denominada Nova Esperança, chegou a convidá-la para continuar colaborando na captação de recursos e na realização de eventos.
Mesmo deixando a rotina diária, Emiliana ainda poderá contribuir voluntariamente com a entidade que fez parte de praticamente toda a sua vida profissional.
Entre as experiências que mais a marcaram estão também os anos de trabalho com pessoas com transtorno do espectro autista. Para Emiliana, cada aluno trouxe um novo aprendizado e mostrou que sempre havia algo novo a descobrir.
“Eu não sei tudo. Eu só sei do amor que recebi, que foi o amor incondicional de cada criança, de cada sorriso. Essa gratidão vai ser sempre eterna”, afirma.
Depois de 35 anos, Emiliana encerra um ciclo profissional, mas deixa uma história construída por meio do trabalho, da dedicação e dos vínculos criados com alunos e famílias. Uma trajetória que permanece na memória da Apae de Avaré e de todos que tiveram a oportunidade de caminhar ao seu lado.
- Avaré